O uso das máscaras para conter a disseminação e contágio do Coronavírus permanece sendo essencial para especialistas e virologistas, porém, alertam que não seja possível a discussão para a sua remoção. Em março, após assumir como ministro da saúde, Marcelo Queiroga, afirmou que a obrigatoriedade das máscaras seria mantida. Já em junho, iniciou-se um estudo para avaliar desobrigar seu uso, com conclusão prevista ainda para este ano de 2021.

Diante desta possibilidade de suspensão do uso da mascara pelo governo federal, em materia da foha de Pernambuco, especialistas ouvidos afirmam que é, sim, adequado fazer estudos e montar comitês científicos para definir quando e como o equipamento será flexibilizado, mas o momento é de cautela principalmente pelo surgimento da nova variante omicron a qual a comunidade científica classificou como preocupante.

“O problema é a definição de ‘ambiente ao ar livre’. Um ponto de ônibus é um ambiente ao ar livre, mas as pessoas com frequência se aglomeram nesses espaços. Isso torna o lugar seguro? Não, não é bem assim”, explica a infectologista, consultora da Sociedade Brasileira de Infectologia e professora da Unicamp Raquel Stucchi.

Para ela, o mais difícil – convencer a população a usar a proteção facial – já foi conquistado, e é melhor manter essa orientação. “O fato de os municípios terem decretado a obrigatoriedade do uso de máscaras, considerando que ainda hoje nem todos usem máscaras de boa qualidade – embora qualquer máscara seja melhor do que nenhuma – retirar agora seria jogar contra. O ideal seria reforçar daqui até o começo do próximo ano o uso de máscaras mais adequadas, com melhor poder de filtração”, afirma.

Em Pernambuco, o secretario de saúde André Longo também ressaltou a importância de manter o uso de mascaras diante deste novo cenário da com a presença da variante omicron que já tem casos confirmados no Brasil e é classificada pela comunidade científica como preocupante. “Nós sabemos que as pessoas querem consumir entretenimento, e isso não é pecado, mas é preciso que as pessoas se organizem. Ainda mais com a introdução de uma variante (a Ômicron), e a gente não sabe o que está por vir. Então, é preciso cautela”, disse. “Aquela ideia que a gente tinha lá atrás de que seria possível abolir o uso da máscara ao chegar a 80% de cobertura vacinal caiu por terra. Não há mais condições de fazer isso com segurança”.

Ainda de acordo com Longo, a nova cepa traz “um nível alto de incerteza”. “Em Pernambuco, não vamos pensar em flexibilizar o uso de máscara. Muito pelo contrário, nós vamos intensificar”, ressaltou. Ele também recomendou que, a partir de 300 participantes, se adotem medidas de controle, como a permissão de entrada apenas para quem já tomou a vacina.

 

Redação PH Bezerros com informações da Folha de Pernambuco

Imagem reprodução: Uso de máscara – Foto: Ricardo Wolffenbuttel/Governo de SC