Enquanto a vacinação contra a Covid-19 não avança em números significativos na segunda dose, analistas enxergam cenário incerto para a economia, com incertezas sobre o ritmo de recuperação dos negócios. Essa avaliação foi reforçada após a divulgação dos resultados referentes serviços, vendas do comércio e produção industrial.

Ao todo, aproximadamente 52.453.993 (24,77% da população) tomaram a segunda dose ou dose única e já estão devidamente imunizados com o ciclo total de vacinação completo, o que passa mais segurança visando contenção de novas variantes do CoronaVírus o que pode levar a oscilações e incertezas para retomada definitiva do comercio.

Dados da Rede Genômica da Fiocruz apontam que, entre os sequenciamentos de amostras feitas pelo sistema no país, a delta corresponde a 22,1% dos casos sequenciados em julho (mais do que 1 em cada 5 casos). Em junho, o total era de 2,3%. Entretanto, o total de sequenciamentos é desigual no Brasil com maior testagem realizada na região Sudeste.

Boletim emitido pela agência Brasil alerta que a variante já foi identificada em 15 Estados, mas especialistas ainda descartam surto alertando que o que existe é transmissão interna da variante. Pernambuco também já registrou transmissão comunitária da nova cepa originária na Índia e alertou para os cuidados evitando a disseminação.

Ou seja, na visão de analistas, a tendência é que, sem o controle da Covid, os indicadores de atividade voltem a intercalar períodos de alta com momentos de perda de fôlego da economia.

O alívio de alguns setores é atribuído a questões como a volta do auxílio emergencial e o menor nível de restrições a atividades em abril. A piora da crise sanitária paralisara em março operações de empresas em diferentes regiões.

A produção industrial, por sua vez, amargou em abril a terceira queda em sequência, conforme o IBGE.

“Os indicadores apontam para uma economia que ainda não tem condições de se recuperar com as próprias pernas. Em abril, setores de comércio e serviços tiveram resultados mais positivos com a volta do auxílio e a flexibilização de medidas restritivas. A queda da indústria reforça a ideia de que a atividade econômica vai seguir de forma volátil até que a gente não tenha uma situação mais segura”, afirma o economista Fabio Bentes, da CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo).

O economista Rafael Cagnin, do Iedi (Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial), vai na mesma linha. “As coisas só vão se resolver com o controle da pandemia. Experiências internacionais têm sido assim.”

O avanço da vacinação é considerado fundamental para destravar principalmente o setor de serviços. O segmento, intensivo em mão de obra, reúne atividades com dependência da circulação de clientes em espaços físicos. Hotéis, bares e restaurantes fazem parte dessa lista.

Nesta sexta-feira, o IBGE relatou que os serviços prestados às famílias, mesmo com melhora em abril, estão 40,1% abaixo do patamar pré-pandemia. O segmento contempla as atividades de alojamento e alimentação.

Estimativa da CNC, também divulgada nesta sexta-feira, indicou que, desde março de 2020, as perdas mensais sofridas pelo setor de turismo somam R$ 355,2 bilhões no país.

“Sem avanço na vacinação, a economia é como um ônibus que pode ter de frear de repente. Estamos vivendo um momento em que é necessário ter mais vacinas”, diz André Perfeito, economista-chefe da Necton Investimentos.

Em relatório, o banco Goldman Sachs afirma esperar que parte dos serviços mais impactados pela Covid-19, especialmente aqueles prestados às famílias, se recupere nos próximos meses, em conjunto com o progresso no programa de imunização, a reabertura gradual da economia e o estímulo fiscal renovado.

Camila Abdelmalack, economista-chefe da Veedha Investimentos, também ressalta que a vacinação é peça importante para a retomada da confiança de consumidores e investidores. “O setor de serviços responde por mais de 70% do PIB. A projeção de recuperação está ancorada no processo de vacinação. Isso norteia as expectativas.”

 

Redação PH Bezerros / Com informações da Folha de Pernambuco e G1