Após intensos terremotos no local nos últimos dias, o vulcão Cumbre Vieja entrou em erupção no domingo (19/9) e pode ser um risco à vida de cerca de mil pessoas. Um extenso rio de lava se formou em direção a vila de El Paso. Cerca de 300 pessoas que sofriam risco imediato foram retiradas de casas e reunidas em um campo de futebol.

No entanto, se você viu a palavra “tsunami” associada ao Brasil e a praias do litoral nordeste nas redes sociais e, ficou preocupado, pode se tranquilizar. São remotas as chances, segundo especialistas, de que a erupção do vulcão nas ilhas Canárias cause uma onda gigante na costa brasileira e em praias do litoral do nordeste.

Para o Brasil, uma erupção nesse vulcão, que fica em uma ilha próxima à costa africana, no Atlântico, poderia eventualmente provocar apenas um mar agitado devido a distancias dos efeitos sísmicos. Pesquisadores afirmam ser pouco provável, no entanto, um evento com potencial destrutivo para a costa brasileira, mais especificamente para o Nordeste, parte mais próxima –mas ainda assim muito distante– do vulcão.

O especialista em rochas vulcânicas Fábio Braz Machado afirma que o Brasil pode sentir uma espécie de ressaca, caso a erupção de fato ocorra, a depender da violência da mesma.

Segundo Machado, pesquisador da Universidade Federal do Paraná e membro da Sociedade Brasileira de Geologia, tsunamis normalmente estão mais associadas a grandes terremotos, pela enorme quantidade de energia envolvida no deslocamento das placas tectônicas.

No caso de vulcões, o risco de tsunami cresce naqueles com características mais explosivas (ao contrário de alguns como os vistos no Havaí, em que a lava se comporta escorrendo). Machado explica ainda que a altura de um vulcão se relaciona com o potencial de explosão que ele tem e, assim, no Cumbre Vieja, de 1.949 metros, esse problema é relativamente elevado.

A formação de ondas gigantecas durante erupções também existe quando uma parte da ilha onde está o vulcão acaba caindo no mar, diz Ricardo Fraga Pereira, geólogo e chefe do departamento de oceanografia da Universidade Federal da Bahia.

“O cenário de catástrofe não é real”, avalia Pereira, sobre possíveis impactos no Brasil. “Nesse caso, não é um supervulcão, mas é de uma natureza explosiva. Exige cautela, mas não exige alarme desnecessário.”

 

Informações: Folha de Pernambuco/ Correio Braziliense

Foto: Foto: Diego Nigro/Acervo JC Imagem