Em Bezerros ainda aguarda-se uma ação efetiva para o chamamento das mulheres a realizarem a mamografia como também a participação de programas de conscientização e educação da saúde.

Estudos nacionais e internacionais comprovam que a identificação precoce de um câncer de mama possibilita chance de cura de até 95%. Por isso, além da prevenção a respeito dos fatores de risco, os médicos batem com insistência na tecla da importância do rastreamento por meio da realização de mamografias periódicas. Infelizmente, a pandemia de covid-19 reduziu muito a procura pelos exames preventivos, o que pode acarretar aumento de casos.

Estudo realizado pela mastologista Jordana Bessa, da Oncologia D’Or, apontou uma queda de 42% no número de mamografias realizadas pelo SUS em 2020 em relação ao ano anterior, especialmente a partir de abril, quando a maioria dos estados adotou medidas de distanciamento social. Ela também encontrou evidências de que a proporção de caroços palpáveis encontrados nos exames ​​foi significativamente maior no ano passado, o que pode indicar grau mais avançado da doença.

Ainda que os dados da rede particular não sejam consolidados, os efeitos podem ter sido similares na rede conveniada. O Núcleo de Mama do Hospital Moinhos de Vento apresentou uma estimativa ainda mais preocupante: queda de 90% na procura por exames de diagnóstico nos primeiros meses da crise sanitária e redução de 35% nos tratamentos iniciais de radioterapia.

Para Jordana Bessa, a lição nessa pandemia e em possíveis crises futuras é que o adiamento desse tipo de exame é muito perigoso. “Temos que nos adaptar, porque as pandemias não têm previsão de término. As salas de exame já estão liberadas e adaptadas. Não podemos ficar esperando.”