Com o Cristo Redentor usando uma máscara de oxigênio, a revista britânica The Economist diagnosticou que o Brasil vive, hoje, “sua maior crise desde o retorno à democracia em 1985”. De acordo com o relatório de 11 páginas e sete reportagens trazidos pela publicação, a maior parte dos problemas é atribuído ao presidente Jair Bolsonaro. Na capa, ainda há a manchete que evidencia o colapso em que o país se encontra: On the brink (Na beira).

“Seus desafios [do Brasil] são assustadores: estagnação econômica, polarização política, ruína ambiental, regressão social e um pesadelo ambicioso. E teve de suportar um presidente que está minando o próprio governo. Seus comparsas substituíram funcionários de carreira. Seus decretos têm forçado freios e contrapesos em todos os lugares”, diz parte do texto de abertura do relatório assinado pela repórter Sarah Maslin, correspondente do Economist no Brasil.
Em outro artigo que fecha o especial, Hora de ir embora, a publicação sugere que a solução para que o país se recupere é retirar Bolsonaro da presidência.
“Os políticos precisam enfrentar as reformas econômicas atrasadas. Os tribunais devem reprimir a corrupção. E empresários, ONGs e brasileiros comuns devem protestar em favor da Amazônia e da constituição”, diz a revista.
“Será difícil mudar o curso do Brasil enquanto Bolsonaro for presidente. A prioridade mais urgente é votar para retirá-lo do poder.”
Em outro trecho do relatório, a revista aponta o favoritismo do ex-presidente Lula em ocupar o posto de presidente, de acordo com as pesquisas de intenção de voto para 2022.
“As pesquisas sugerem que Lula ganharia em um segundo turno [contra Bolsonaro]. Mas, à medida que a vacinação e a economia se recuperam, o presidente pode recuperar terreno. Lula deve mostrar como a forma de [Bolsonaro de] lidar com a pandemia custou vidas e meios de subsistência, e como ele governou para sua família, não pelo Brasil. O ex-presidente deve oferecer soluções, não saudades.”
Esta não é a primeira vez que a mundialmente prestigiada revista estampa sua capa com a imagem do Cristo Redentor. O cartão postal do Brasil é comumente utilizado pela publicação para simbolizar as análises feitas pelos especialistas sobre o país.
Em 2009, uma capa mostrava o Cristo Redentor decolando, como se fosse um foguete, com a manchete O Brasil decola — elogiando políticas econômicas da época. Mas em 2013, em uma imagem semelhante, o mesmo Cristo Redentor aparecia na capa como um foguete desgovernado e a manchete O Brasil estragou tudo?. Naquela edição, a revista criticava uma mudança de rumo nas políticas econômicas.
Com informações da BBC Brasil.