Número foi batido na tarde do sábado (19/06/2021). Situação é de alerta: marca trágica foi superada na semana em que o país vê a média móvel ficar novamente acima de 2 mil óbitos por dia, em tendência de alta.

Imagem: Robson Rocha

Meio milhão de vidas. Esse é o saldo de vítimas que a Covid-19 já deixou desde que chegou ao Brasil, em março de 2020. A média geral é de mais de 1 mil mortos por dia com o ritmo subindo desde o começo de 2021. No pior momento, em abril, o Brasil chegou registrar média móvel semanal acima de 3 mil mortos diários; nos últimos dias, essa média bateu a marca de 2 mil vidas por dia, o que preocupa diante da lenta evolução nos números de vacinados.

 O diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, afirmou em depoimento à CPI da Pandemia que fez a primeira oferta de vacinas contra a covid-19 ao Ministério da Saúde em 30 julho de 2020, mas ficou sem resposta. Eram 60 milhões de doses, que seriam entregues no último trimestre daquele ano.

Segundo ele, o Brasil poderia ter sido o primeiro no mundo a iniciar a vacinação “se todos os atores” tivessem colaborado. Dimas Covas disse que manifestações do presidente Jair Bolsonaro contra a vacina deixaram as negociações “em suspenso” e atrasaram o começo da vacinação no país.

— O mundo começou a vacinar no dia 8 de dezembro. O Brasil poderia ter sido o primeiro país do mundo a iniciar a vacinação, se não fossem esses percalços, tanto contratuais como de regulamentação — disse Dimas Covas, que entregou à CPI ofícios para comprovar seu depoimento. As “idas e vindas” nas negociações com o governo federal e a demora na assinatura do contrato atrasaram o cronograma e a oferta de vacinas.

A farmacêutica Pfizer diz ter realizado uma série de tratativas com o governo brasileiro para fornecimento de sua vacina contra a Covid-19. A companhia divulgou um comunicado no qual diz ter oferecido, em agosto de 2020, a primeira proposta para aquisição de 70 milhões de doses de imunizantes pelo governo brasileiro, o qual recusou essa e outras ofertas da farmaceutica enquanto outros países garantiram a compra imediata de quantitativos do imunizante para início da vacinação.

Pela proposta, segundo a Pfizer, a entrega das primeiras doses seria em dezembro. “Vale reforçar que a Pfizer encaminhou três propostas para o governo brasileiro, para uma possível aquisição de 70 milhões de doses de sua vacina, sendo que a primeira proposta foi encaminhada pela companhia em 15 de agosto de 2020 e considerava um quantitativo para entrega a partir de dezembro de 2020”, diz a empresa em nota.

A farmacêutica diz que não pode dar detalhes sobre a negociação por conta de um contrato de confidencialidade assinado com o governo brasileiro em 31 de julho. Entretanto, a farmacêutica garante que os termos do acordo oferecido ao governo brasileiro são os mesmos de contratos com outros países, inclusive que já estão vacinando e garantiram a compra do imunizante na época.

“Países como Estados Unidos, Japão, Israel, Canadá, Reino Unido, Austrália, México, Equador, Chile, Costa Rica, Colômbia e Panamá, assim como a União Europeia e outros países, garantiram um quantitativo de doses para dar início à imunização de suas populações, por meio de acordo que engloba as mesmas cláusulas apresentadas ao Brasil”, diz o comunicado.

No início da tarde deste sábado (19), o total de mortos chegou a 500.022, e o de casos confirmados, a 17.822.659, segundo dados levantados pelo consórcio de veículos de imprensa sobre a situação da pandemia no Brasil. O balanço é feito a partir de dados das secretarias estaduais de Saúde.

Redação PH Bezerros com informações G1/CNN