O forte aumento nos preços tem prejudicado e diminuído cada vez mais o orçamento da maioria das famílias brasileiras ao longo deste ano de 2021, além de comprometer e dar cabo a previsões pessimistas sobre crescimento da economia em 2022. O Banco Central (BC) vem elevando os juros para patamares restritivos à atividade econômica, o que deverá frear o Produto Interno Bruto (PIB).

Com a diminuição do poder aquisitivo e as barreiras econômicas causadas pela Pandemia o índice da fome também subiu. Pesquisa da  Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (Rede PENSSAN),  realizada no final do ano de 2020 constatou que mais de 19 milhões de pessoas passam fome em todo país no momento da Pandemia e mais de 100 milhões conviveram com incerteza alimentar, ou seja, não sabem se terão o que comer no dia seguinte.

No entanto, os preços dos alimentos e inflação sobem no mundo inteiro. No Brasil a disparada pior por uma série de fatores como a alta do dólar, desvalorização do Real, enfrentamento a Pandemia, valorização dos produtos exportados pelo Brasil e instabilidade política.

Uma pesquisa da OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico) mostrou que a inflação média esperada para o final de 2021 nos países do G20 é de 3,7%. Para o Brasil, a previsão de alta de preços é quase o dobro, de 7,2%, atrás só da Argentina (47%) e da Turquia (17,8%).

Em 8 capitais do país, a inflação chegou a 10,25% no acumulado de 12 meses em setembro, superando os 10% pela primeira vez desde fevereiro de 2016 (10,36%).

Apesar disso, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) minimiza a questão interna e atribuir a alta de preços apenas a um contexto global. Bolsonaro relativizou a crise ao dizer que a alta de preços acontece em todo o mundo. Ao comparar preços de produtos no Brasil e em outros países.

Ao mesmo tempo, declarações do Presidente conte o sistema democrático de direito do país, falas de fraudes eleitorais sem provas, acusações contra o sistema Eleitoral e tensão entre os poderes judiciários, executivo e legislativo aumentam a instabilidade política do país e afugenta investimentos do setor privado.

Allexandro Mori Coelho, coordenador de graduação em economia da Fecap (Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado), explica que a alta mundial dos alimentos acontece, por um lado, porque a oferta caiu, devido a fatores como condições climáticas.

No entanto, no Brasil, o impacto tem sido pior. Os alimentos acumulam alta de 14,66% em 12 meses, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), com destaque para açúcar (44%), óleo de soja (32%) e carnes (25%).

André Braz, economista do Ibre-FGV (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas), explica que os preços dos alimentos subiram no Brasil em função da valorização de muitos deles nos mercados internacionais. “O mundo está aquecendo, e os preços do milho, da soja e do trigo subiram muito em Bolsas internacionais, como commodities importantes.”

Outro fator que justifica o aumento é a disparada do dólar. A moeda norte-americana subiu 29,33% em 2020 e já acumula alta de 6,33% neste ano, sendo vendido acima de R$ 5,50.

Nossa moeda perdeu valor e, sempre que isso acontece, o Brasil se torna uma grande vitrine em promoção. Muitos países, principalmente da Ásia, querem comprar produtos brasileiros, porque ficaram mais baratos. A China, por exemplo, é uma grande compradora de soja, milho, minério de ferro e carnes brasileiras.

 

Redação PH Bezerros

Informações: Folha UOL/ Diário de Pernambuco