Delegado foi morto enquanto cumpria dois mandados de prisão por homicídio em Jataúba.

Em vez da presença, a saudade de quem se foi. A força e o vigor viraram lembrança. Projetos e sonhos se foram. E, neste caso, por causa da violência. Uma vida interrompida é um caminho desfeito. O delegado Anderson Liberato, que tinha 32 anos, era titular da Delegacia de Polícia Civil de Brejo da Madre de DeusHá quase um ano, em 17 de abril de 2021, ele foi morto a tiros enquanto cumpria mandados de prisão em Jataúba.

“Quanto mais o tempo passa, mais dói. A gente fica esperando e sabendo que nunca mais ele vai voltar. Dói muito. Com a partida dele, também morreu uma parte de nós”, disse a mãe do delegado, Francisca Maria.

 

Natural de Fortaleza, no Ceará, Anderson havia assumido a delegacia em 2019. Após a morte dele, Larissa Veloso foi quem assumiu como titular. Ela é da nova turma de mais de 50 delegados que assumiram em fevereiro deste ano. E ela conhecia Anderson Liberato. A delegada fez elogios ao trabalho do colega que morreu e afirmou que agora dá continuidade a este trabalho. “Existe um legado que ele deixou na polícia, trabalhava muito. Isso precisa ser lembrado e reconhecido”, afirmou.

 

Delegado Anderson Liberato ao lado da família — Foto: TV Asa Branca/Reprodução

Delegado Anderson Liberato ao lado da família — Foto: TV Asa Branca/Reprodução

 

Anderson também respondia pela Delegacia de Polícia Civil de Jataúba, município do Agreste com 17 mil habitantes. No dia em que foi morto, o delegado estava de folga. Mas, ao ter a confirmação de mandados expedidos pela Justiça, mobilizou uma equipe para prender duas pessoas. A ex-companheira dele lembrou que os dois aproveitariam o fim de semana para viajar.

“Ele queria estar sempre presente. Ele dizia a mim que nunca ia determinar algo para as pessoas que trabalhavam com ele se ele não pudesse cumprir, se ele não pudesse estar ali, ao lado. Infelizmente, ele recebeu o telefonema e resolveu retornar para acompanhar a equipe dele. E decidiu tomar a frente”, lembrou a ex-companheira, Tâmara Xavier, que estava com Anderson havia três anos.

Foi em um prédio localizado no Centro da cidade, enquanto trabalhava, que o delegado Anderson teve os últimos momentos de vida. Era um sábado, e a ideia de um dia tranquilo no cumprimento de mandados de prisão não se concretizou. Os mandados eram contra suspeitos de tentativa de homicídio de um morador de Jataúba.

Os policiais chegaram ao primeiro andar e deram voz de prisão para a mulher. O delegado Anderson Liberato continuou procurando o homem pelos quartos do apartamento, até que foi surpreendido por ele. Na troca de tiros, o delegado conseguiu acertar o homem uma vez, mas foi atingido por três disparos. O mais grave foi na região do tórax.

Anderson Liberato deu entrada na Unidade Mista de Jatúba com parada cardíaca. Ele não resistiu aos ferimentos e morreu antes mesmo das equipes realizarem a transferência para uma unidade de saúde melhor equipada. O casal foi preso. O criminoso, que estava baleado, foi socorrido e encaminhado para o Hospital Regional do Agreste (HRA), em Caruaru, em uma ambulância. Na entrada do município, o veículo foi parado e o homem que matou o delegado foi executado por homens armados.

A perda de Anderson foi, para a vida toda, algo que não tem reparo para Flávio e Francisca, pais do delegado. “Não tenho palavras. Só quem sabe, é quem passa. Não tem como você explicar”, falou o pai, José Flávio do Nascimento. A morte do delegado só fortalece a ideia entre os colegas e amigos, de continuar a luta contra a criminalidade.